terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Belo Belo

Belo belo belo,
Tenho tudo quanto quero.

Tenho o fogo de constelações extintas há milênios.
E o risco brevíssimo - que foi? passou - de tantas estrelas cadentes.

A aurora apaga-se,
E eu guardo as mais puras lágrimas da aurora.

O dia vem, e dia adentro
Continuo a possuir o segredo grande da noite.

Belo belo belo,
Tenho tudo quanto quero.

Não quero o êxtase nem os tormentos.
Não quero o que a terra só dá com trabalho.

As dádivas dos anjos são inaproveitáveis:
Os anjos não compreendem os homens.

Não quero amar, Não quero ser amado.
Não quero combater, Não quero ser soldado.

- Quero a delícia de poder sentir as coisas mais simples.

*****



Belo Belo II

Belo belo minha bela
Tenho tudo que não quero
Não tenho nada que quero
Não quero óculos nem tosse
Nem obrigação de voto
Quero quero
Quero a solidão dos píncaros
A água da fonte escondida
A rosa que floresceu Sobre a escarpa inacessível
A luz da primeira estrela
Piscando no lusco-fusco
Quero quero Quero dar a volta ao mundo
Só num navio de vela
Quero rever Pernambuco
Quero ver Bagdá e Cusco
Quero quero Quero o moreno de Estela
Quero a brancura de Elisa
Quero a saliva de Bela
Quero as sardas de Adalgisa
Quero quero tanta coisa
Belo belo
Mas basta de lero-lero
Vida noves fora zero.

Manuel Bandeira

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

A esmo



Quantos hei de conhecer
Para todos os meus versos
Finalmente, eu escrever?

Quantos? Com a cara deslavada...
Como a tua, enfeitiçada
Destinadas a me endoidecer...

Pela vontade que é minha
De encontrar em ti
A minha ousada poesia

Quantos...
Quantos ainda hei de conhecer?!

...Palavras não me faltam
Ao contrário, elas saltam.
Quando no ápice do envolvimento
Escrevo o meu contentamento.

E tento esquecer do que vi
E minto dizer que esqueci
Desse teu jeito, todo bonito
Em que tranquilamente vagueio...
Pois acontece que percebi
Que também sei amar os feios!

Feios, bonitos...
Na verdade eu não ligo
No quesito não acredito
Quanto a isso... Nada peço
Contanto que eu possa
Entrar nesse teu Universo!
Mas que eu faça isso
Só pra encontrar
Os meus versos.

E escrevê-los assim,
Sobre s teus pêlos mesmo
E mesmo que não me compreendas
Levo-te a pretensão
De que estou em suas mãos
Assim, a tua mercê.
De que estou a esmo
De você.

Mo e Lud

sábado, 6 de setembro de 2008

Hoje tem Sarau!

Na Dona Eugênia, n 1003

A partir das 19h, podes chegar!

Se não souberes o que levar, é simples: Poesia, vinho ou virtude.. a teu gosto!

terça-feira, 19 de agosto de 2008

De Pessoa, a Bilac.... De Florbela, a Carneiro!

De Drummond, a Baudelaire....

Isto é que chamo de um Sarau lisonjeiro!

Próximo: ________ ???? tcharãn!!!

domingo, 20 de julho de 2008

Pedido a Noel


Obrigada, Noel!
Por jogares as palavras para o céu
Transformando em samba a tua agonia
Quando a fumaça incandescente
Dança toda contente a tua melodia

Caro Noel:
Com teus versos na viola
- Parceiros da boemia –
Num bom samba tu descobres
Os acordes da poesia

Ah... Noel!
Vem de novo
Vem... No meio do povo
Faz uma graça com teu chapéu
Tira logo do bolso este papel
E escreve todos os teus versos
Pelas paredes deste bordel.


Mo e Lud

terça-feira, 15 de julho de 2008

Não te quero senão porque te quero,
e de querer-te a não te querer chego,
e de esperar-te quando não te espero,
passa o meu coração do frio ao fogo.

Quero-te só porque a ti te quero,
Odeio-te sem fim e odiando te rogo,
e a medida do meu amor viajante,
é não te ver e amar-te,como um cego.

Tal vez consumirá a luz de Janeiro,
seu raio cruel meu coração inteiro,
roubando-me a chave do sossego,
nesta história só eu me morro,
e morrerei de amor porque te quero,
porque te quero amor,a sangue e fogo.


Pablo Neruda

quarta-feira, 9 de julho de 2008

"Se tivesse acreditado
na minha brincadeira
de dizer verdades teria
ouvido verdades que
teimo em dizer brincando,
falei muitas vezes como um palhaço
mas jamais duvidei da
sinceridade da platéia
que sorria."

Chaplin